quinta-feira, 17 de junho de 2010

O CENTENÁRIO DO ZÉ

Se bem conheço o Seu Trepinha, estas horas o bom palhaço deve estar no "mei" da rua convocando o povaréu pro aniversário do Zé. Porque o Zé, cabra querido e animado, só faz anos com a casa cheia. Inda mais quando são CEM as primeveras. Por certo que já tá todo na estica. Os vitrais brilhando, o ferro das escadarias tinindo, cortinas e tapetes de limpíssimo vermelho, janelas e portões escancarados e o "cardápio" todo trabalhado na variedade pra mimar a multidão. Tem convidado até da França, Chile, Peru, Paraguai... Bem-vindos sejam, mas o que prevalece ali é tempero cearense da melhor qualidade.
Ô Zéééé é,é,é,é, tá ouvindo o berreiro deste coração ão,ão,ão???!!! É a emoção, José, botando o maior boneco eco, eco, eco no meu peito. Queria entrar no abraço, comer do teu bolo, soprar tuas velas, passar o dia rindo, cantando, dançando e batendo palmas pra ti. Mas, tão longe! Não tome como desfeita. É a vida em suas voltas passando ao largo do desejo. De todo modo estou em festa, viu? FESTANÇA!
Parabéns pra tu e nós tudim. Que afinal, tu e nós, nós e tu...


* O Theatro José de Alencar fica em Fortaleza-Ceará.

Flor do Mamulengo.
Recife-Pe, 17 de junho de 2010.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Corações capturados











Jake Gyllenhaal e Heath Ledger em:
O Segredo De Brokeback Mountain

Alonga-se um contentamento que pede celebração. O que de sublime me veio imediatamente à cabeça para ilustrar, são imagens do Ang Lee (Razão e Sensibilidade; Desejo e Perigo). Muito mais especialmente Brokeback Mountain. COISA LINDA!!!

Impossível não lamentar de novo e sempre que tenha partido tão precocemente o Heath Ledger.

Lances de Lee:



Céu Pontes.

Recife-Pe, dezesseis de junho de vinte dez.

sábado, 12 de junho de 2010

O Tufão & a Flor


Padecia de juventude ainda quando ali chegou configurada em tufão. O homem abriu a porta e ela compreendeu de súbito que o quanto seus sentidos alcançassem dali em diante passaria por aquele encontro.
Ele falou primeiro. Talvez um bom dia e um convite para entrar, ela não lembra, pois os ouvidos se ocupavam do além das palavras. Concentrou-se no grave da voz, feito para canções de profundezas. Observou-lhe o desalinho. Gostou que ele estivesse composto de modo que ficasse ligeiramente fora do lugar comum. Era a primeira vez que se aproximava de um homem livre de tudo o que tornava os outros desinteressantes aos seus olhos fundos de moldura arroxeada. Rendeu-se.
Ao longo de anos avançaram um dentro do outro sem armas ou embustes. Entregues em absoluta crueza. E se reconheceram expressão raríssima de amor.
Quando a natureza exigiu-lhe o vôo, partiu segura de jamais perdê-lo. Cumpriu-se.
Nunca mais se viram, mas há sinais de um no outro embelezando o destino que lhes coube. Hoje mesmo ela vagava com infinidades de girassóis lhe estampando o vestido.
Amadurecida, a tempestade de outrora chovia delicadezas. E ele acordou perfumado e úmido.

CERONHA PONTES
Recife-PE, 12 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Poemas em altas horas



Já confessei aqui meu gosto por poesia. Na brevidade da forma, a imensidão do sentir. Traduz-me um vestígio luminoso a Adélia.

O INTENSO BRILHO

É impossível no mundo
estarmos juntos
ainda que do meu lado adormecesses.
O véu que protege a vida
nos separa.
O véu que protege a vida
nos protege.
Aproveita, pois,
que é tudo branco agora,
à boca do precipício,
neste vórtice
e fala
nesta clareira aberta pela insônia
quero ouvir tua alma
a que mora na garganta
como em túmulos
esperando a hora da ressurreição,
fala meu nome
antes que eu retorne
ao dia pleno,
à semi-escuridão.


Adélia Prado


Com um beijo da Bisonha.

Recife-PE, 11 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

cearense genérico X argentino metido (enquanto navego)


Casei-me com um ser nascido em pleno Sertão Pernambucano, na cidade de Ouricuri, ali pertinho de Bodocó. E apesar da origem forte toda trabalhada nos DIS e TIS, benza Deus, mais cearense impossível! Estava eu entretida olhando desta "janela para o mundo", quando escuto uma confusão na cozinha onde o digníssimo tomava o seu interminável café da manhã de domingo. Esbravejava o "genérico" em cearês impecável:

Ó a zuada, mã! Marrum fii dua égua desse! Isso no Ceará num si criava. A negrada rá tinha lhe tacado um "ieeeei". Ei, mã, tu é doido ou bebe gás?

Corro pra ver quem sofria os insultos e topo com o Diego Armando Maradona falando o de sempre na TV. Deixei-os ali trocando tapioca por media luna.

Tanta cearensidade em exercício dentro do doce lar recifense, inviabiliza o sucesso deste meu projeto de largar o osso, pra ver se de saudade não morro. Aaai, Fortaleeeeza!

Cheio de outros lances de me encher os zóio d'água (a voz da minha avó, retratos dos amigos, pedaços de canções, um rinoceronte dramático...) seguiu-se um domingão bom de banzo que teve o seu auge na segundona, ontem, quando me chega , direto daquela "desposada pelo sol", gentil e-mail do Pedro Salgueiro(queridaço!) com um papo pra lá de sério sobre povos decadentes, feijão de caldo fino e outras dores. KKKKK!!!!!

Pedro amado, eu rio que/e choro. No mais... Bem..."vou descendo por todas as ruas...oh minha honey baby!"

Deixando uns beijos pra quem pintar por este...Refúgio.

Ceronha Bisonha

Recife-Pe, 08 de junho de 2010.