quarta-feira, 9 de março de 2016
Naná
Meu coração se pernambucanizaria ainda mais quando daquela visão desse preto colossal regendo centenas de tambores ao mesmo tempo, num velho carnaval. Puro encantamento!
Tantos vivas a Naná quanto brilhem estrelas no céu.
sábado, 18 de julho de 2015
Delicadezas
Acolhida pelos gigantes Alaíde Costa e Gonzaga Leal. Um show cujo nome não podia ser mais apropriado: Porcelana. Delicado, requintado, comovente. De Villa Lobos a Capiba, passando por Vinícius de Moraes (em parceria com Alaíde), Caetano Veloso, Hermínio Bello de Carvalho e outros de valor, um espetáculo absolutamente feliz. Gratidão também por participar desse momento ao lado de Maurício Cezar, Adilson Bandeira, Tomás Melo e Cláudio Moura. Este último, com sua divina viola, me acompanhou em Os Rios Turvos, homenagem à escritora Luzilá Gonçalves.
Aconteceu nesta quinta, 16 de julho, no Festival de Inverno de Garanhuns. Os registros carinhosos são da minha amada preciosa Lilli Rocha.
Cláudio, sua sensibilidade brinca com as cordas. Brincar carrega sempre o melhor sentido.
Flutuando nos Rios Turvos de Luzilá.
Neste momento o palco é todo Itamaracá, a ilha da pedra que canta.
"Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar"
O abraço em cena não é diferente do que ele me dá na vida pelo menos duas vezes por semana. Ele me ensina, me expande. Dos bens preciosos que o teatro me trouxe. Nem fama, nem riqueza material. Além. Muito além.
Ela é Alaíde Costa. Ele é Gonzaga Leal. Não posso estar senão feliz.
Cláudio, Maurício, Alaíde, Gonzaga, Bandeira, Tomás, eu e o público. Numa noite de calor, apesar do frio de Garanhuns.
A escritora Luzilá Gonçalves. Sua felicidade faz a minha.
Os Rios Turvos nos abraçam, Luzilá
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Porcelana
Emocionada de homenagear a escritora Luzilá Gonçalves, através da sua obra Os Rios Turvos, no show dessas duas grandes criaturas. Grandes em talento, generosidade, delicadeza, inteligência e boníssimo humor. Alaíde Costa e Gonzaga Leal, fina PORCELANA.
E ainda ter a viola do Cláudio Moura me acompanhado em cena. É muita alegria.
domingo, 28 de junho de 2015
Tendré
Eu ando sem fala. Pra não perder de vez o hábito de tirar o pó deste lugar, um ctrl c + ctrl v e, diga o Fito por mim.
Besos salados.
Ceronha
terça-feira, 19 de maio de 2015
BÚSQUEDA
O texto abaixo foi escrito em 23 de abril deste ano, em Montevideo. Tal e qual a Despedida de Galeano, foi partilhado com os amigos que acompanhavam pelo facebook as minhas buscas. Pelo mesmo motivo está agora salvo aqui.
Procurando Delmira
O mausoléu que guarda os restos mortais de Delmira Agustini, no Cementerio Central de Montevideo.
Vim a Montevideo investigar um crime passional ocorrido há pouco mais 100 anos. Enrique Job Reyes matou a sua esposa, a poetisa Delmira Agustini, no dia 06 de julho de 1914.
No meio de tantas informações, cometi um descuido precioso. Anotei errado o endereço da família Agustini. Em vez de San José 1186, escrevi 1126 como sendo o número da casa em que viveu a poetisa Delmira e sua família. Então me surpreendi ao chegar ao número errado e encontrar justamente uma delegacia que trata da violência doméstica. Fui muito bem recebida aí e, é claro, ninguém poderia saber daquilo que meu engano produziu. Uma delegacia? E para esse fim? Achei que, se não era um propósito, também não podia ser uma simples coincidência, mas uma chamada do Universo, que anda sempre a conspirar.
A delegacia.
Ainda enganada, caminhei da suposta "vivienda" dos Agustini até a Andes 1206, endereço do assassinato. Fiz o que eu acreditava ser o mesmo trajeto que Delmira fez naquela tarde de julho de 1914, para encontrar a morte pelas mãos do homem que dizia amá-la.
Ali reencontrei o pequeno e descuidado rosal invisível nesta Montevideo de um século depois.
Me ajoelho e rezo por todas a mulheres que tiveram o mesmo e indigno fim.
Depois, revendo os documentos, verifico o endereço certo e vou ao lugar que hoje é um pequeno edifício que foge da arquitetura característica de Montevideo, onde funciona uma joalheria.
Mônica, a atendente, um pouco ressabiada a princípio, acabou por me deixar entrar e revelou que por trás da fachada atual, o lugar ainda guarda vestígios da velha casa. Permitiu-me ver o estreito e longo corredor que esta porta fechada esconde. Não pude fotografar por dentro, mas a imagem do "pasillo angosto, largo y de piso rojo" nunca me sairá da memória.
Das coisas que o engano me revelou, o fato de que hoje, entre o refúgio de Delmira e a casa de Enrique, onde tiveram muitos encontros amorosos mesmo depois da separação, existe hoje uma delegacia que pretende proteger as mulheres de crimes como esse. Segunda é que fui muito bem tratada pelos homens que trabalham ali, especialmente pelo Julio. E outra, é que ali na delegacia descobri o endereço da casa onde Delmira e Enrique moraram, no bairro do Prado.
No mais, reparem que nestas andanças por Montevideo, até os muros me falam de paixão. Porque sim, o Universo conspira.
Ceronha Pontes
Montevideo-Uruguay
23 de abril de 2015
P.S.: A investigação resultará num espetáculo teatral de minha autoria. Por enquanto o chamo de LA NOVIA.
P.S.: A investigação resultará num espetáculo teatral de minha autoria. Por enquanto o chamo de LA NOVIA.
domingo, 17 de maio de 2015
SUBMERSA
Save me, save me, save me!
Clama o Freddie Mercury pela casa, tentando arrancar Estela desse estado de inércia. Ora, não se gaste à toa, meu rapaz.
Clama o Freddie Mercury pela casa, tentando arrancar Estela desse estado de inércia. Ora, não se gaste à toa, meu rapaz.
Por vezes admirei a conduta de Estela, não nego. Sua firmeza, sua resignação. Amadurecida depois de cada tempestade. Sábia, eu pensava. Engano terrível. A verdade é que ela padece de excesso de razão. Apostou que se arranharia menos assim e terminou acumulando enfermidades de tanto negar-se a si. Feriu-se a fundo com a própria covardia.
Percebo que escrevi a palavra terminou. Queria ter motivos para apagá-la, mas não vou botar panos quentes agora, quando sei que a mão estendida para fora do trem não voltará a alcançar Estela. O trem que ela deixou ir, a vida inteira deixou ir, rompeu com os trilhos, atirou-se no precipício, foi tragado pelas águas, perdeu-se num oceano intransponível.
Agora eu encaro este gigante azul com a loucura que faltou a Estela. Sinto as pancadas do mar no meu peito igualmente revolto e, compadecida, choro por ela. Mas choro tanto e tanto, que necessito teu canto, Freddie. Continue. Por mim. Save me, save me, save me. I can't face this life alone.
Ceronha Pontes
Despedida de Galeano
O texto abaixo foi escrito em 15 de abril deste ano e direcionado aos amigos que frequentam o facebook. Entretanto o blog, embora infinitamente menos visitado, guarda melhor as memórias. Por isso vim, ainda que tarde. salvá-lo aqui.
Palacio Legislativo
Despedida de Galeano
Quando estávamos chegando avistamos uma moça que carregava uma pequena bandeira da Venezuela. Maribel lamentou não ter trazido uma do México (seu país), enquanto Eros e eu pensamos que seria justo termos uma do Brasil. Sem bandeiras, mas com os corações latino-americanos batendo forte no peito, entramos.
Quando estávamos chegando avistamos uma moça que carregava uma pequena bandeira da Venezuela. Maribel lamentou não ter trazido uma do México (seu país), enquanto Eros e eu pensamos que seria justo termos uma do Brasil. Sem bandeiras, mas com os corações latino-americanos batendo forte no peito, entramos.
Maribel, Eros y yo.
Pensei que me perderia numa multidão isolada por cordões. É
que às vezes esqueço que o Uruguai é um país pequeno, com uma população pequena
e traz, portanto, uma imagem diferente da que estou habituada para ilustrar
multidão. Mas, e os cordões de isolamento? E o ostensivo esquema de segurança?
E as autoridades reservadas e distantes? E a família “protegida” do nosso
assédio? Sim, estavam os guardas muito bem paramentados e até existiam alguns
cordões organizadores de fila, caso fosse necessário, mas a verdade é que sendo
o velório do nosso Eduardo Galeano, não se pensou em separá-lo de nós.
Estávamos todos misturados no mesmo e imenso Salón de los Pasos Perdidos del
Palacio Legislativo e clima era de absoluta tranquilidade e gratidão.
Ali estava o atual presidente, Tabaré Vásques e sua pequena
comitiva. Teve a elegância de não se demorar mais que uns vinte minutos. E não
que isto representasse qualquer impedimento. Como eu disse, estávamos todos no
mesmo plano, no mesmo salão, com o mesmo sentimento. A circulação era livre
como Galeano nos encorajou a ser. Em verdade entendemos como necessário
permitir ao Presidente uma breve conversa com a família, é claro. Trocadas as
gentilezas, Tabaré se foi e restamos nós: familiares, amigos, leitores,
admiradores... Os curiosos não encontrariam razão para ficar, pois tudo
transcorria sem qualquer afetação, apesar do luxo do Palácio.
Velatório.
Muitas flores vindas de várias instituições, grupos e mesmo
cidadãos comuns. Parei por acaso ao lado das que foram enviadas pelo Teatro del
Galpón. Eros percebeu e brincou, dizendo que eu havia me colocado do lado
certo. Maribel se alegrou quando
percebeu uma bandeira do México aos pés do caixão. Não leiam como uma desonra o
fato de a bandeira estar no chão. Provavelmente algum mexicano agradecido a tinha
posto e o protocolo, como já disse, não era uma obsessão. Pediu que Eros fotografasse
a singela homenagem dos seus. Ele o fez e seguiu registrando outras
delicadezas.
Emoção quando Maribel me chamou a atenção para a presença da
senadora Lucía Topolansky, esposa do ex-presidente Pepe Mujica, pela qual tenho
imensa admiração. Estávamos, como disse,
todos muito próximos, todos misturados. Eros, muito menos tímido que eu,
aproveitou que Lucía lhe sorriu e foi conversar com ela. Eles dois com suas
quatro mãos abraçadas. Ele lamentando a perda, ela celebrando o fato de que ele
trabalhou até o último momento. Lembrou a Eros a importância de uma mediação
recente que Galeano teria feito entre Brasil e Venezuela, para garantir a
cordialidade entre os dois. E eu confesso que não estou inteirada do assunto.
Mais tarde Eros a chamaria de terna guerrilheira. Eu achei bonito.
Lucía Topolansky (a segunda senhora sentada de cabelos e blusa também branca, com paletó azu).
Sim meu queridos, temos registros nossos do ataúde que
guardava Galeano, mas não me sinto nem um pouco à vontade para postar. Partilho
essas fotos mais discretas porque sei que muitos dos meus amigos gostariam de
ter estado ali e prestado sua homenagem. Saibam que em todos os íntimos
agradecimentos que fiz nessa despedida, pensei em vocês. Com amor e uma
esperança que fraqueja, e muito, mas sempre se refaz.
Um abraço bom.
Ceronha
terça-feira, 12 de maio de 2015
Recado
Querido blog, me perdoe o abandono, mas é que eu saí por aí estudando. Fui bater em Montevideo perseguindo a Delmira Agustini, acredita? Pois nos aguarde. Olhe, tanta coisa se deu que não sei com quais palavras contá-las. Na vinda ainda passei por Belém do Pará, emprestando o "cavalo" à nossa Camille Claudel e foi bom à beça. Mas agora cheguei no nosso Recife e vim no "metrô da saudade", com meu coração Alceu. Passei pra te fazer um afago e te deixo com o meu queridíssimo Gonzaga Leal, trazendo este recado Valenciano, com um arranjo do Cláudio Moura e sua viola que me dói. Escuta aí.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
IMORAIS II
Naked Portrait (Lucien freud)
No quarto do hotel, ao calor da lareira, pequenos espasmos ainda. Restos de um sonho. Era só a metade da viagem, mas o outro mundo já se impunha. Concreto. De uma urgência autoritária. Aaron pensou em Norma. Desejou que ela estivesse ali. Ele compraria uma garrafa de vinho e conversariam sobre o que só eles alcançam, como se houvesse uma língua só deles. E há. Eu mesma não compreendo tudo o que dizem, por mais participação que me deem.
No dia anterior Norma enchia o abraço de Aaron, aberta aos seus carinhos, aos seus delírios. Partilhava do seu gozo com uma alegria que ele não haveria de esquecer. De repente, tudo tão impalpável.
Agora ele finalmente chegou em casa, que é muito, muito longe. Havia perdido as chaves, mas já conseguiu entrar, se instalar, se reconhecer na paisagem. Paisagem bem diferente daquela de que sofrem neste momento os olhos de Norma. Eu soube dela desalinhada pelas ruas do seu lugar, em estado de recusa do que lhe sobrou ali. Mas conheço seus poderes. Pude já presenciar sua recuperação em situações de improvável cura. Como não saberia lidar com as cicatrizes da alegria? Sei que vai caminhar muito, às vezes correr em disparada, enfrentar as curvas com tanta velocidade que há de desmaiar de tontura. Mas firmará seu passo novamente nas linhas tortas que elege.
Eu os espero sob o frio no alto de uma ladeira. Ou numa canção. Assim seja.
Ceronha Pontes
Recife-PE, 21 de Fevereiro de 2015.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
IMORAIS
"Mal é que a moral nos reja,
Bom é que ninguém nos veja;
Entre isso fica viver ."
(Fernando Pessoa)
Selfie Portrait (Lucien Freud)
Preferirias uma mulher atormentada pelos excessos da moral?
Não pratico o fingimento. Pratico a poesia e isso é outro universo. Onde o tempo não é perdido com falsa recusa, mas estendido no embelezamento do caminho.
Vem. Com os teus medos, não me importo. Teu passo inseguro, teus movimentos mínimos. Vem com teu sorriso tímido, com teu fio de voz que te revela um gigante e tu nem desconfias.
Eu te escolho, tu me escolhes. Basta.
Ceronha Pontes
Recife-PE, 17 de fevereiro de 2015
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