terça-feira, 6 de maio de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Pezããããooo!!!!
Hómi, Seo Minino, que o Recife não se recupera tão cedo. A tristeza não podia ser pequena.
Vai em paz, querido de todos. E, como você mesmo gostava de se despedir nas mensagens: "Beijo, amor".
http://blogs.diariodepernambuco.com.br/play/2014/04/luto-morre-o-produtor-cultural-sergio-valenca-o-pezao/
domingo, 6 de abril de 2014
O sangue impuro
A conversa (sempre longa) de ontem foi com o Mario. Sobre ele próprio tenho razões para não falar muito, mas que ele me fez refletir sobre as nossas referências abandonadas, negadas. Aqui, mesmo as pessoas mais simples não esquecem que foram invadidas, escravizadas, roubadas. Que tiveram seus templos soterrados e, sobre eles, erguidos os templos do colonizador. Símbolo perverso da vitória, pisar e abafar a cultura dos "derrotados".
No Brasil não falamos muito sobre os indígenas. Não nos importamos de não falar guarani. Tanto mais respeitáveis quando aceitos pela parte banca da mistura. Ainda hoje lhes pedimos a bênção.
Mario imagina que nós brasileiros vencemos o racismo, pois esteve aí numa situação muito especial, onde foi muito bem tratado e respeitado. Ainda teremos tempo de lhe explicar que estamos longe disso. Que queimamos índios, que excluímos (quando não matamos) negros, que "frescamos" com a cara dos nordestinos, que matamos mulheres e homossexuais. Ontem era importante ouví-lo. Radical, o Mario, e é compreensível. Duro, dizia que o homem branco não é inteligente, por isso dedicou-se a invadir, destruir, saquear, tomar para si o que a outro e por direito pertencia. Não creio totalmente nisto, mas o contexto lhe justifica o rancor. Com ele concordo, e nem é difícil, que a História é mentirosa, pois manipulada. Por isso quero ouvir os "vencidos". Com este propósito e a ajuda da professora Paula, encontrei o Felipe Gauman Poma Ayala. Vivi 42 anos sem saber dele e de sua Nueva Crónica y Buen Gobierno. Tempo de repararação.
Me despeço para poder mergulhar em seus escritos e desenhos. Ele que viveu a época e sofreu na pele a ação do invasor. Besos cuzqueños.
Ceronha
Cuzco, Peru.
06/04/2014
LIBERDADE
Tal e qual em alguns recantos do nosso litoral nordestino, a Cuzco de vitrine, pra turista tonto ver, pertence ao Estrangeiro. Seus lindos restaurantes, hotéis, lojas: do Estrangeiro. Aqui o Estrangeiro compra uma montanha inteira para saquear seus recursos e então devolve aos nativos uma terra onde sequer uma batata crescerá. Dessas coisas é capaz o Capital Estrangeiro.
É EFRAIN, um homem simples, descendente dos Incas (seus pais nunca falaram espanhol, mas quechua, a língua Mãe), quem nos faz admitir que não avançamos do estado de Colônia. E é também Efrain quem nos dá outra lição de resistência e dignidade. Conta-nos a história de sua família "sin economia". Diz de sua hermanita levada por um médico e sua esposa, que juraram tratá-lá como filha, mas obviamente alimentaram uma indiazinha escrava do lar. Nos conta como cresceram os outros filhos em meio às platações de té. De como conseguiu estudar e ainda cursar um ano e meio de belas artes. Também não teve "economia" para concluir o curso, e etecéteras provocadores, além de comoventes. Alguns em quechua, a língua da qual muitos cuzqueños, ou antes peruanos, se envergonham, porque restou como língua de gente simples camponesa e só agora, tardiamente, adotada em algumas escolas. Foi uma longa conversa com este homem cuja autoestima não o faz duro, mas gentil, seguro, digno. Enfrain, em sua simplicidade, inteligência e doçura, é o tipo do homem com quem o colonizador não pode. Efrain é um homem que não se deixa seduzir pela cara plastificada do Estrangeiro e suas promessas. O coração e o sangue de Efrain não são corrompíveis. Efrain é um livre e resistente e muito honrado descendente do povo Inca. A Efrain não importa a riqueza conforme o conceito do Estrangeiro. A ele e aos seus, importa que Pachamama* seja respeitada e dela tenham o que lhes faça viver. Viver é muito. Viver com liberdade é muito mais.
Ceronha
Cuzco, Peru.
05/04/2014
* Pachamama é terra, em quechua.
É EFRAIN, um homem simples, descendente dos Incas (seus pais nunca falaram espanhol, mas quechua, a língua Mãe), quem nos faz admitir que não avançamos do estado de Colônia. E é também Efrain quem nos dá outra lição de resistência e dignidade. Conta-nos a história de sua família "sin economia". Diz de sua hermanita levada por um médico e sua esposa, que juraram tratá-lá como filha, mas obviamente alimentaram uma indiazinha escrava do lar. Nos conta como cresceram os outros filhos em meio às platações de té. De como conseguiu estudar e ainda cursar um ano e meio de belas artes. Também não teve "economia" para concluir o curso, e etecéteras provocadores, além de comoventes. Alguns em quechua, a língua da qual muitos cuzqueños, ou antes peruanos, se envergonham, porque restou como língua de gente simples camponesa e só agora, tardiamente, adotada em algumas escolas. Foi uma longa conversa com este homem cuja autoestima não o faz duro, mas gentil, seguro, digno. Enfrain, em sua simplicidade, inteligência e doçura, é o tipo do homem com quem o colonizador não pode. Efrain é um homem que não se deixa seduzir pela cara plastificada do Estrangeiro e suas promessas. O coração e o sangue de Efrain não são corrompíveis. Efrain é um livre e resistente e muito honrado descendente do povo Inca. A Efrain não importa a riqueza conforme o conceito do Estrangeiro. A ele e aos seus, importa que Pachamama* seja respeitada e dela tenham o que lhes faça viver. Viver é muito. Viver com liberdade é muito mais.
Ceronha
Cuzco, Peru.
05/04/2014
* Pachamama é terra, em quechua.
O instrumento dos anjos.
Um extra gracioso:
- Señor Sabino, que cosa tan bella! Cómo se llama este instrumento?
- Marimacho.
Es una palabra en quechua?
- No, no. Sabes que es lesbiana?
- Por supusesto que si!
- Entonces, Marimacho.
(Eu rio. Ele explica.)
- Este instrumento no tiene genero, por esto Mariamacho.
(Eros intervém.)
- Como los angeles, que no tienen sexo.
(Elegi então meu instrumento e o ganhei de presente. É de cordas, como um violão. Só que andino e raríssimo. E tem nome que contempla meninos, meninas, anjos e quem mais.)
Ceronha
Cuzco, Peru.
04/04/2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
Conga, monga.
A vida se repete enfadonhamente. A gente vai trocando de papéis, mas, as histórias, iguais. As de amor então, pra matar no cansaço. E nós, tolos de fazer dó, seguimos senão acreditando, na esperança de voltar a. Não adianta vir com esse papo de transitoriedade pra cima de Cecé. Tudo igual. Ok, admito a única e minúscula diferença de que a esperança hoje anda se alimentando de curtidas.Triste, né? Uma curtida perdida e a criatura namora, casa e adota uns pirráia.
Fui. Tomar chá de coca lá em Cuzco, na esperança (olha a medonha aqui "tra veiz") de que o pouco oxigênio seja aliado na reconstrução deste ser desanimado que fala sozinho.
Como diz o primo Ed: só Maria Odete* salva. Pois então conga, oh rainha, e "afasta de mim este cálice".
*Maria Odete, a Gretchen.
sábado, 22 de março de 2014
Chutando as paredes, o balde e o pau da barraca.
Não é a primeira vez que posto.
A-DO-RO!!!
"Se non ha un senso", mande ver, Vasco.
E o guitarrista querendo vir ser lindo desse jeito aqui em casa , a gente deixa
E tudo começou quando ouvi o Vasco cantando num filminho que já me acabei de postar também. Não me cansarei jamais de assistir. Identificação total com o Timóteo, do Sergio Castellitto.
Ceronha
quinta-feira, 20 de março de 2014
"Chutando as paredes"
Recentemente obrigada a pensar, conceber, escrever para fins que não este blogzinho marromeno desnutrido, o coitado, aí foi que eu fiquei esgoatada mesmo. Sem ter o que oferecer aqui.
Felizmente tem uma gente que eu gosto que vai me traduzindo sem o saber. O clip de hoje é do filme da querida Lívia Guerra, toda toda muito talentosa. É contigo, lindona.
quarta-feira, 19 de março de 2014
HOJE
Bater perna sob o calor do Recife até gastar o que me impede. Até quem sabe esbarrar numa inspiração.
Zaz me acompanha com versos sobre o que muito mais duramente começaria o poeta Carlos: "tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
quarta-feira, 12 de março de 2014
O mel da boca
Aquilo era tão triste!
Disseram que foi um coração que, cheio de amor, mas desprovido de atrevimento, explodiu.
E ainda tinha o Tom Zé fazendo alarde no cortejo.
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