sábado, 22 de março de 2014
Chutando as paredes, o balde e o pau da barraca.
Não é a primeira vez que posto.
A-DO-RO!!!
"Se non ha un senso", mande ver, Vasco.
E o guitarrista querendo vir ser lindo desse jeito aqui em casa , a gente deixa
E tudo começou quando ouvi o Vasco cantando num filminho que já me acabei de postar também. Não me cansarei jamais de assistir. Identificação total com o Timóteo, do Sergio Castellitto.
Ceronha
quinta-feira, 20 de março de 2014
"Chutando as paredes"
Recentemente obrigada a pensar, conceber, escrever para fins que não este blogzinho marromeno desnutrido, o coitado, aí foi que eu fiquei esgoatada mesmo. Sem ter o que oferecer aqui.
Felizmente tem uma gente que eu gosto que vai me traduzindo sem o saber. O clip de hoje é do filme da querida Lívia Guerra, toda toda muito talentosa. É contigo, lindona.
quarta-feira, 19 de março de 2014
HOJE
Bater perna sob o calor do Recife até gastar o que me impede. Até quem sabe esbarrar numa inspiração.
Zaz me acompanha com versos sobre o que muito mais duramente começaria o poeta Carlos: "tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
quarta-feira, 12 de março de 2014
O mel da boca
Aquilo era tão triste!
Disseram que foi um coração que, cheio de amor, mas desprovido de atrevimento, explodiu.
E ainda tinha o Tom Zé fazendo alarde no cortejo.
terça-feira, 11 de março de 2014
Sinceramente
Tem coisa que eu realmente gostaria de ter escrito. Mas que ousadia! Verdade é que quem nasce pra uma Ceronhazinha de nada nunca chegará a ser Tom Zé ou Sérgio Sampaio. Cante aí, meu adorado maldito. E nunca se cale, por amor dos deuses todos. Os simpáticos, eu digo.
quinta-feira, 6 de março de 2014
De Frederick para Vladímir.
Se contenho a minha raiva, enlouqueço. Deixa-me pois esmurrar a faca, caro Vladímir. É a mim que machuco, não temas por Mia. Nela, outra ferida eu jamais abriria, além das devidas à sua consciência. Ela não poderá sair desta situação do mesmo modo inconsequente com que estabelece todas as suas relações. Sim, seu estilo há muito se repete. É um bem que lhe faço, juro. Crês que a ela, ou a qualquer outra pessoa seja favorável viver de apurar um poder desagregador? A que desfecho estará sempre condenada se continua a investir em tramas como esta? Cercando, controlando, manipulando, desrespeitando afetos tão longamente cultivados?
Sorrateira se achega. É de repente que percebemos sua presença lânguida. Sempre e de tal modo ali, a ponto de se tornar necessária. De repente, amigo, me dei conta de não saber fazer nada sem ela, que se enfiou na minha vida e foi cortando um fio aqui, desviando outro acolá, se amarrando noutro adiante, enfim, me despojando de meus afetos outros. E sem qualquer constrangimento, nem senso algum de responsabilidade. Depois de tudo ainda afirma chorosa que "não sabia" como dizer, prevenir, proteger-me do mal.
Não que seja uma pequena difícil de ler, oh poeta. Não é uma Lila Brik. Muito mais facilmente decifrável, a Mia. Mas é tanta doçura envolvendo o vil intento que mesmo eu acabei por apostar que em algum momento aquilo tudo se converteria em outra verdade. Aprazível verdade. Cheguei a inventar Deus, e Ele me garantia o direito e me abençoava a entrega.
Pesa-me a culpa por reduzir a cocô a minha inteligência, diante da beleza de uma pequena cheia de fogo e astúcia. Tu conheces o que arrisco e ainda não estou em segurança, longe disso. Te agradeço por me dares abrigo em tua sublime poesia, Vladímir. Neste momento são estes os versos teus que afogo:
Entraste. Brusca como um desafio.
E amaçando a camurça das luvas
disseste:
- Sabes? Vou me casar.
- É?
Pois bem, casa-te!
Não faz mal.
Agüentarei o golpe.
Não vês como estou calmo?
Dir-se-ia o pulso de um morto.
Te lembras deste teu lema;
"Jack London, dinheiro, amor, paixão"?
Desde então foi o que vi:
tu és uma Gioconda
que é preciso roubar!
E afinal te roubaram.
Adivinho que ela não esteja feliz. Também dela a vida cobra. Quem escapa? Aprenderá com isso mais que finalmente se livrar de animal tão rude feito eu, meu amigo? Ou não aprenderá coisa nenhuma e seguirá repetindo seu jogo como uma viciada? Ah, querido poeta, contando que eu mesmo sucumbi a esses artifícios novamente, que posso exigir de uma criança vaidosa, não é mesmo?
Um abraço cheio de vergonha deste teu devotado,
Frederick.
(Por Ceronha Pontes)
quarta-feira, 5 de março de 2014
Já não é carnaval
Lendo Maiakóvski:
Por toda parte
andei dizendo que Deus não existe
e Deus, de tórridas profundezas, fê-la sair,
aquela diante de quem
a montanha se perturba e treme,
e me ordenou: Ama-a!
Deus ficou contente.
No fundo do abismo
que há sob o céu
um homem atormentado
como um selvagem definha.
Deus esfrega as mãos.
A si mesmo, diz:
Hás de ver, Vladímir!
E cobiçando esta elegância:
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Realidade e realidade outra
1- Acolhendo
Neste momento Elisa, a criatura, me exige acolher o humano, sem moralismos, pudores, regras, julgamentos. Assim seja.
2- Acolhida
Das lonjuras insondáveis, Nikolaj, o único amigo de Frederick. E não só de Frederick. Sua cumplicidade é das coisas mais lindas que já vivinventei¹. Love never dies.
3- Agradecida
Para Nikolaj, porque desconfio que estamos precisando de uma chuva forte em noite longa, a canção que mais escuto nesses dias em que muito me empresto.
C.P.
1- Viviventar. Alguém inventou este verbo antes. Li em algum lugar. Não me lembro onde nem de quem. Já que me empresto tanto,não vi mal em pegar emprestado.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Elisa e eu
Construindo uma nova criatura. Desta vez para o cinema. Seguindo as indicações do diretor André Valença, vou descobrindo o que não está escrito. Chega uma hora que de tanto procurar, a criatura ganha meu corpo e me segue pra todo canto. Vem pra casa comigo, tomamos banho juntas, cozinhamos macarrão, ouvimos música, dançamos, admiramos quadros de Alexandre Cabanel e Félix Vallotton...
Dormir, não dormimos. De madrugada é quando ouço melhor a sua voz. Ela própria me soprando sua história. A que ninguém vê, mas está lá, entrelinhas. Quer saber um pouco?
Estudo e construção de personagem por Ceronha Pontes.
Exercício n° 1 (trecho)
Elisa:
Herdei de minha tia avó o nome de Elisa. E também esta casa
velha onde me escondo da aporrinhação do resto da família. É um tal de querer
saber porque que eu num me casei, porque que eu num tive uns pirráia... Oxe! Num tive pirráia, porque
pirráia só serve pra deixar a gente encaralhada. Nun quis, num quero.
Exercício n°2 (trecho)
Elisa:
Aí eu me revoltei e falei direto com Deus: olhe, castigada
eu tava era quando não sentia. E pronto. Daquela vez em diante eu merecia.
Merecia, sabe? Merecia.
Eu num sabia que era tão bom brigar com Deus. Chega eu
fiquei mais bonita. Quando foi que me achei bonita mermo? Agora eu termino aqui
toda descabelada, toda malamanhada e quando me olho no espelho, me acho é
bonita. E digo outra: comecei a ter ideia. Sabe menino pequeno que brinca,
inventa as coisa? Então... Eu nunca brinquei. Agora eu brinco, tenho ideia.
Outro dia eu fiquei pensando que se botasse um vento, sabe? Me deu vontade dum
vento...
Exercício n°3 (na íntegra)
Elisa:
Depois desse movimento aqui em casa eu ando mais disposta,
sabe? Vontade de arrumar as coisa, me arrumar também. Só um pouco, né? Outro
dia passei até batom. Uma delas deixou por aí um toco de batom, eu passei com o
dedo mermo. Já fiquei diferente, achei engraçado. Saí na rua me sentindo a
Carmem Miranda com aquela ruma de fruta na cabeça, só por causa dum batonzinho,
vê?
Na casa fui bulindo uma coisa aqui, outra ali. Joguei fora
uma ruma. O quarto dos fundos era cheio dumas caixavéia. Tia Elisa juntava era
troço. Numa delas tinha uns livros velhos, uns cadernos e uma caixinha menor
cheia de lápis. Tudo com a ponta grande bem feitinha. Tinha umas página marcada
nos livro. Tia Elisa era mulher letrada, visse?Por isso mais que o povo achava
ela esquisita. Minha Vó dizia que mulher letrada demais num arruma marido. Pois
sim. Tinha uns negócio que se minha mãe lesse, num ia prestar não. Ela descia o
cacete mermo em Tia Elisa. E minha Vó? Morria. Uma história comprida de uma tal
de Filó¹. Diz que é fada, mas sapata. Bulia com as mocinha, as boneca... Olhe, é
muita resenha, muita esculhambaçao essa fada. Safada chega me deu um negócio.
Era duma escritora chamada Hilda. Depois eu vi a foto dela noutro livro. Uma
véa que vivia sozinha com uma ruma de cachorro. Igual a Tia Elisa, só que sem
os cachorros.
Nos cadernos Tia Elisa ia de receita de bolo a poesia. Umas
de dar tremor nas parte, sabe? Outras de doer o peito. E tinha uma parte que
era de música. Escrito o nome "música" em letra de forma grande. Algumas com o
nome dos cantores, outras com o nome de Elisa. Tia Elisa era ou num era cheia
de surpresa? Já num me admira que um pedaço de chão de sua casa dê esse negócio
na gente. Das músicas eu gostei mais de uma italiana². Eu sei porque a gente
sabe que língua é mermo que num fale. Depois num sou ignorante não. Vivo aqui
desse jeito porque essa é minha vida e pronto. E também era uma que a própria
Tia Elisa gostava de cantar baixinho. Eu merma ouvi muitas vezes.
(Canta um pouco. Silêncio. Olhar perdido.)
(Canta um pouco. Silêncio. Olhar perdido.)
Depois tem o jardim pra ajeitar. É pequeno, mas pode ficar arrumadinho.
Vou plantar umas roseira e um pé de acerola.
Elisa em processo, por Ceronha Pontes.
Notas:
1- Filó, a fadinha lésbica- Hilda Hilst.
2- Senza Fine- Gino Paoli.
Elisa em processo, por Ceronha Pontes.
Notas:
1- Filó, a fadinha lésbica- Hilda Hilst.
2- Senza Fine- Gino Paoli.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Personagem
As criaturas ensinam muito do criador ao criador. Grata, faço o que for preciso para que este corpo seja a perfeita morada de Elisa.
Alexandre Cabanel contribui imensamente para o meu propósito.
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