sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ensaio febril
















Ceronha Pontes 














Maeve Jinkings 











Hilda Torres










Hermila Guedes







Mayra Waquim











Márcia Cruz






ESSA FEBRE QUE NÃO PASSA (espetáculo em construção). Da obra de Luce Pereira, uma realização do Coletivo Angu de Teatro, com direção de André Brasileiro e preciosa assistência de Marcondes Lima. Produção de Tadeu Gondim. 


Ceronha Pontes
Recife-PE, 05 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Passagem



Cuidadosamente escolhidas as portas que abri. Não tenha medo, criança. Escancarado o convite pra uma vida inteira. Pode ir.


Ceronha Pontes
Recife-PE, 27 de janeiro de 2011


os meninos cantam

Hey, that's no Way to Say Goodbye



Parte I- Até que a morte?


Ele fazia a barba enquanto ela se vestia lutando contra o atraso.

ELE- Você vai ter algum fim de semana livre este mês?
ELA- Que nada! Entramos em cartaz.
ELE- Você não tem vocação para o casamento.
ELA- Besteira. Taí uma vocação que eu tenho é pra ser casada contigo.
ELE- Disseste bem, casada comigo. Só eu pra suportar criatura tão dona da própria vontade.
ELA- (Rindo muito) E você da sua.
ELE- Não seria mais fácil separados?
ELA- Podes crer.
ELE- Pois eu tenho fé em Deus que nas próximas encarnações eu "desaprego".
ELA- Beijo, amor.
ELE- Volta bem "de noitão"?

A porta bate.


PARTE II- Dois mundos

ELE- Preciso ir.

Ela sente o corpo recordar/doer todas as ausências longas.

ELE- Dessa vez você vem comigo?

Pesado silêncio.

ELA- Acho que não dá.

Amorosamente sofridos, se arriscam divididos outra vez. Oxalá, meu Pai, tenha dó.



alento:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Blackbird


Feriram-lhe, e se perdeu de mim no vôo cego. 
Encontre abrigo a sua dor. Ouvido e coração gentis por onde vá.
Aqui me calo.

Ceronha Pontes
Recife-PE, 11 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

quem? quantos? porquê?

Cassiano chegou agora    Mariah precipitou-se    Abelardo desistiu    Pedro e Jonas descobriram    Luciana se escondeu    Roberta pouco se importa    Agenor tem a receita que o Rubem modificou    Marco Antônio disse sim   Júlia nem se demorou    Zé Diogo abriu os braços    Karina se recusou    Marina pediu socorro    a Laila foi pro spa    Isabel ficou doente   Marluce compôs um choro   Louise se acidentou   Marcelo perdeu o trem   Anuska desesperou.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Ceronha Pontes...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

correndo pro mar


Foi bonito, hein? 
Nos campos que plantamos, dourada verdade tudo quanto florescia. O que não se cumpriu, nem poderia. Por falta de nos pertencer.
Te ocupes de lembrar, quando triste. Assim o faço. E rio, rio, rio...

Ceronha Pontes
Recife-Pe, 27 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

procurando

Aquele, Aquela, Aquilo...   
Cada um, ao seu modo ou desengano, SÓ.   
E no entanto...   
ceronha


"anda, deja que te acompañe que no és momento de andar sola"




segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fulana Feliz

Qualquer coincidência terá sido mera semelhança.

O marido morreu. Criou doze filhos arriscando inverno que lhe rendesse algumas poucas sacas de feijão e milho extraídos do pequeno roçado familiar. Em tempos de seca, nem me pergunte.
Das sete meninas até as calcinhas eram doações. Usadas e descartadas por outras abastadas. Enquanto os meninos dividiam dois pares de alpercatas, fingindo doença no pé que ficasse descalço. Só mesmo Zequinha tinha os dois completamente nus correndo no terreiro.
Nasceu doido. Doido bem mansinho. Sabe doido carinhoso? O Zequinha. Ele e a mãe eram dotados de uma alegria absurda ao meu entendimento. A mulher feliz e seu menino doido me enfeitiçavam de um jeito que por pouco acreditava em Deus. Não acredito. Não quero acreditar. Eles é que precisam. E o encontram.
As meninas, bem, era botar peito pra embuchar. Feito bicho mesmo, sem culpa nem frescura. Assim os meninos, tanto lhes desse o "frivião na rola" quanto emprenhavam semelhantes desgraçadas. Desgraçadas digo eu, caro leitor, cheia de olhos.
Multiplicando-se na indiferença, eram salvos... Me castra a obrigação do politicamente correto. Ora, fôda-se! SALVOS PELA IGNORÂNCIA. Está dito.
Fiquei mortinha de vergonha quando o ego, inflado pelo espírito natalino, me arrastou certa vez para lá carregando um panelão de sopa e uns panetones. É querer comprar muito barato um alívio qualquer pra uma culpa que eles nem me creditavam, pois desconheciam. Sua felicidade era meu vexame. Eis que a Boazinha (eu), com uma sede de Mamãe Noel (mandaram Zequinha dizer), recusou-lhes a água barrenta da cacimba. Não voltaria ali.
Quantos serão hoje em dia? E porque eu comecei a falar dessa gente? Ah, foi a mãe deles que me feriu a memória. Dona Fulaninha. Nunca uma palavra feia, nunca expressão nenhuma de rancor. Sempre riso, sempre amor, sempre certa do que a vida vale. Pensando nela, ao menos por hoje me desocupo de minhas frustraçõesinhas. Tudo tão inha, né? O forinha, a saudadesinha, a dorzinha, eteceterazinha. Vê, fica é bonito pensar na amígdala ( Dona Fulaninha, a senhora sabe o que é amíGdala?) como uma flor cujos espinhos me invadem e rasgam o ouvido. Porra, muito bonita a minha doencinha!
Ô Dona Fulaninha, foi de quê mesmo que morreu Seu Fulaninho?

Ceronha Pontes
Recife, 29 de novembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

DESAPARECIDA


Emerge a cabeça parecendo mal-assombro. Olhos esbugalhados e fixos. Indaga:

Velho - A menina já voltou?


Há quanto tempo ela responde sem acreditar?

Velha - Mais tarde.

Mais triste, o velho afunda a cabeça na rede encardida. Talvez fosse choro aquilo que se ouvia.


Ceronha Pontes
Recife-PE, 28 de novembro de 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

SILENCE

Sob que disfarce me visitas? Ah, ilusão de que o faças!
Enquanto murcham os girassóis.
Ceronha Pontes
27 de novembro de 2010


extra silêncio: